Quer estragar o seu dia?
Pois vá ao banco!
Não importa o que vá fazer...você SEMPRE passará raiva...
Eu então, pareço ser o alvo número um da Lei de Murphy : se algo puder dar errado, vai dar...
Hoje, por exemplo : estou desde o início do mês de setembro tentando sacar meu FGTS ...
O primeiro “porém” foi um erro cometido pela empresa que colocou a data da rescisão com um mês de atraso e o valor ficou retido no banco.
Idas e vindas atrás de documentos, assinaturas, etc...e quando finalmente liberaram a chamada “chave”para a retirado do valor a CAIXA entrou em greve....AAARRGGHH...
Quase um mês depois, acaba a greve.
Meu dinheirinho ficou lá, guardado, tudo bem.
Retorno ao banco!
Pensar nisso me dá calafrios!!
Então eu preparo o espírito, tomo um café forte, arregaço as mangas e me mando pra agência da CAIXA mais próxima.
Na idade média existiam os porões de tortura. Hoje existem os bancos. E a tortura começa para achar um local onde estacionar o carro.
Dou três voltas no quarteirão e nenhuma de vaga, nem aquelas com os chatos dos flanelinhas cobrando o olho da cara para “vigiar” o carro...
Paro kms de distância e ando debaixo de um sol capaz de derreter meu cérebro.
E a segunda parte da tortura está só começando: Hora de passar pela maldita porta giratória. Já havia deixado TODAS as minhas moedas no porta luvas. Para evitar embaraços. Depositei celular e chaves no ‘container’. Avancei pela porta e, é claro, ela travou comigo...
Lá vem o Sr.Pança Segurança... "A sra. tem metal na bolsa?”
“Não senhor, tirando minha espingarda carregada, nada não, moço”...
Ele ri. É! Ele consegue rir...eu já estou começando a sentir que a tarde não seria fácil.
Ele vasculha a bolsa, não vê nada além de papéis, batom, pente, lixa de unhas...lista de supermercado...
Me libera!
Mas a maldita porta não quer que eu entre...Diante da minha "cara de poucos amigos" ele destrava a porta...
A fila dos caixas estava dando a volta no saguão do banco três vezes.
Suspirei bem fundo e encarei a terceira parte da tortura...eram 12h03...o senhor atrás de mim tinha um bafo de urubu...a moça da frente, escutava um radinho de pilha sintonizado no best sellers do sertanejo...ai meu pai, daí-me coragem!!
12h48 eu finalmente fui atendida, depois de me certificar duas vezes com aquela funcionária que usa o uniforme “posso te ajudar” de que só bastava o cartão da Caixa e o número da chave para sacar.
Mas na-na-ni-na-não!!Precisava até da certidão de nascimento do meu bisavô para provar que eu era eu e que o dinheiro era meu.
Reclamei indignada para o caixa que isso era um absurdo, que deviam treinar melhor os funcionários, que pedi informações antes de passar 40 minutos na fila, que aquilo era injusto, etc, etc....
Quase chorei de raiva. Ele se condoeu e falou que eu buscasse os documentos e não precisaria enfrentar fila.
Sai batendo os pés de raiva. Fui em casa, peguei os documentos EXATAMENTE como ele me disse.
Voltei pro banco, mais cinco voltas no quarteirão...uma fritada básica no cérebro e me dirigi ao caixa. Ele me passou para o colega ao lado. E quando penso que a tortura ia chegar ao fim...
“Senhora, ainda falta a cópia de 3 páginas da sua carteira de trabalho para anexar ao extrato!”
O quê??? Porque não disse antes, cara pálida?????
Faltei enfartar. Já eram 14h15...Expliquei toda a minha via crucis. Ele não quis nem saber.
Só sacava com as tais cópias em mãos.
Sai soltando marimbondos pelas narinas. Peguei o carro, fui numa loja de fotocópias, enfrentei mais filas, fiz as benditas cópias...Voltei à câmara de tortura (ou seria ao banco??)
Na hora de entrar, pasmem...a porta giratória me bloqueou.
Já era a terceira vez que passava por ela em menos de 3 horas, e a menos que alguns parafusos tenham se soltado da minha cabeça e fossem parar na bolsa, não havia porque o detector de metais disparar o alarme.
O próprio segurança ficou sem graça e me liberou.
E enfim, já no caixa, consegui resgatar meu dinheirinho, às 15h23.
Agora, só uma sessão de descarrego, massagem e calmantes para me revigorar desta jornada...