Excomunhão maior : segundo os dicionários e enciclopédias, “ ela é aplicada contra os cristãos que têm incorrido em heresia ou em determinados pecados de escândalo, privando o excomungado de receber e administrar os sacramentos, de assistir aos ofícios religiosos, da sepultura eclesiástica, dos sufrágios da religião, de toda dignidade eclesiástica, do relacionamento com os demais fiéis, etc.”
Este foi o “ castigo”, a punição da Igreja Católica aos médicos, juristas e família da menina de 9 anos que fez um aborto depois de ter sido estuprada pelo padrasto.
Notícia tão revoltante quanto o próprio crime contra a menina...
Nasci na Igreja Católica, com pais e avós muito religiosos e fervorosos.
Fui batizada, fiz primeira comunhão.
Num dado momento da minha infância, ao completar exatos 9 anos, ( idade da menina que citamos aqui ) tive o primeiro contato com a Doutrina Espírita. A identificação ( minha e de minha família) foi imediata. A partir daí começamos a vivenciar o chamado sincretismo religioso. Processo de fusão de concepções religiosas diferentes ou a influência exercida por uma religião nas práticas de uma outra.
Realidade comum entre as famílias brasileiras.
E eu sempre me perguntei o que fez a Igreja Católica perder, pouco a pouco, minha admiração e minha simpatia, embora ainda hoje eu a siga, reze para seus Santos e os respeite.
Não foi difícil encontrar a resposta: o radicalismo burro que prefere condenar o uso da camisinha e facilitar a disseminição de DSTs ou atitudes como a deste Bispo...de considerar um aborto nestas condições como um homicídio.
Não estou defendendo o aborto, pura e simplesmente, como se fosse um método contraceptivo. Tenho minhas ponderações a respeito do assunto e o tema merece largas discussões.
Mas no caso da menina de Pernambuco, é simples e fácil se esconder atrás de dogmas religiosos e condenar sem ponderação, sem bom senso, sem autocrítica...
Condenar duplamente, pois o que pode ser pior do que a condenação desta menina a conviver com a dor e a humilhação de ter sido abusada, durante três anos seguidos, por um monstro que compartilhava com ela o lar...(que lar??)
O que pode ser pior do que a perda da infância, da inocência, dos sonhos?
Pior do que isso seria perder a própria vida...e foi o que a equipe médica, a Justiça e a família da menina quiseram garantir-lhe : A VIDA!!!
E não se trata aqui de “ substituir” vidas...a dos fetos gêmeos que ela gerava pela dela...Sobretudo porque, dificilmente, a menina sobreviveria até o final da gestação, com seu corpinho despreparado para a transformação pela qual passava...Dificilmente também, sobreviveriam os fetos... E eu me pergunto, uma regra religiosa vale todas estas vidas???
A Igreja católica precisa de reformas, precisa acompanhar as mudanças do mundo...
Mas o mais chocante nesta história toda, pra mim, foi ouvir o Arcebispo afirmar que o estuprador não merece ser excomungado, pois o crime que ele cometeu é MENOS GRAVE!!!E ainda garantiu que um advogado da aqrquidiocese vai pedir a condenação da mãe da menina por homícidio...Santo Deus Misericordioso!!!!!
A Igreja Católica, assim como qualquer religião, tem o dever de servir como opção para que possamos seguir a Deus e optemos pelo bem ao próximo. E não apontar dedos e submeter uma alma já humilhada e destroçada ao sofrimento de se sentir abandonada e excluída de uma Igreja onde talvez ela encontrasse abrigo e consolo até então.
Sem falar da exposição de forma tão estúpida e IMORAL!
O comportamento deste bispo o torna tão cruel quanto o próprio estuprador...